Dia da SUCAM expõe dívida histórica do Estado com trabalhadores intoxicados por DDT
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Servidores que combateram endemias no Brasil denunciam intoxicação, mortes precoces e ausência de reparação décadas após exposição

Contato: imprensaoficial.sintseppa@gmail.com
Nesta segunda-feira, 23 de março de 2025, data que marca o Dia da SUCAM, o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado do Pará (SINTSEP-PA) denuncia a permanência de uma grave injustiça histórica: a intoxicação de milhares de servidores por inseticidas como o DDT e a ausência de reparação por parte do Estado brasileiro.
Criada em 1970, “a Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (SUCAM) foi fundamental no combate a endemias como malária, febre amarela e doença de Chagas. Na linha de frente estavam os chamados “sucanzeiros”, trabalhadores que percorreram o país aplicando inseticidas altamente tóxicos, muitas vezes sem qualquer equipamento de proteção” informou Cedicio de Vasconcellos, Coordenador Geral do SINTSEP-PA.
Hoje, o que deveria ser uma data de reconhecimento se transforma em um marco de denúncia. Décadas após o fim da SUCAM, esses trabalhadores convivem com doenças graves, sequelas permanentes e perdas familiares — sem assistência adequada e sem indenização.
Intoxicação generalizada e negligência
Servidores da ex-Sucam intoxicados por DDT - Imagens: Redes Sociais
“Documentos e denúncias apresentados por entidades sindicais apontam que os servidores foram expostos de forma sistemática a substâncias altamente nocivas, como DDT e Malation, em condições precárias e sem proteção” afirma Regina Brito também da coordenação geral da entidade sindical.
Laudos periciais e exames toxicológicos indicam níveis de intoxicação acima dos limites considerados seguros, associados a sintomas como tremores, distúrbios neurológicos, problemas cardíacos e diversos tipos de câncer.
“Segundo os registros, praticamente todos os trabalhadores que tiveram contato direto com os inseticidas apresentaram algum grau de intoxicação, enquanto muitos sequer tiveram acesso a exames ou acompanhamento médico”, denuncia Karina Lopes da Coordenação de Saúde do Trabalhador do sindicato.
“A intoxicação também atingiu familiares, já que os produtos eram levados para dentro das casas, ampliando os impactos para além dos locais de trabalho”, continua Cedicio Vasconcellos.
Estado ignorou riscos e falhou na proteção


Estudos apontam que o DDT possui alta persistência ambiental e se acumula no organismo humano, afetando principalmente o sistema nervoso central e podendo causar danos irreversíveis.
Mesmo diante desses riscos, os trabalhadores relatam que não receberam treinamento adequado, equipamentos de proteção individual ou acompanhamento médico periódico — evidenciando falhas graves na política de saúde e segurança do trabalho.
Documentos internos revelam que a prioridade era a eficácia da aplicação dos inseticidas, sem qualquer preocupação com a saúde dos servidores.
Adoecimento e mortes precoces

Dados apresentados na PEC 101/2019 revelam um quadro alarmante: mais de 55% dos óbitos de trabalhadores ocorreram antes dos 60 anos, com média de idade de 58 anos — abaixo da expectativa de vida nacional.
Além disso, cerca de 90% dos trabalhadores analisados morreram antes de completar 30 anos após o início da exposição aos pesticidas, reforçando a relação entre o trabalho e o adoecimento.
A proposta prevê a concessão de plano de saúde aos servidores intoxicados como forma de garantir assistência mínima diante das consequências do trabalho exercido.
Luta por reparação segue
O SINTSEP-PA, junto à Condsef/Fenadsef e demais entidades, reafirma seu compromisso com a luta por justiça, exigindo:
reconhecimento oficial da intoxicação;
assistência integral à saúde dos trabalhadores e seus familiares;
indenização pelos danos causados;
responsabilização do Estado brasileiro.
“Mesmo após anos de mobilização, audiências e ações judiciais, a maioria dos trabalhadores segue sem acesso a tratamento adequado, enfrentando o agravamento das doenças e o abandono institucional” declarou o Advogado Marco Apolo, membro da assessoria jurídica do SINTESEP-PA.
Uma dívida que o Estado insiste em não pagar
A Constituição Federal estabelece a responsabilidade do poder público em reparar danos causados por seus agentes. No caso dos trabalhadores da SUCAM, essa obrigação segue sendo negligenciada.
Para o SINTSEP-PA, trata-se de uma grave violação de direitos humanos e de um caso emblemático de negligência do Estado com aqueles que dedicaram suas vidas à saúde pública.
Memória e luta
Neste 23 de março, o sindicato reafirma: não há o que comemorar enquanto houver trabalhadores adoecendo, famílias sofrendo e direitos sendo negados.
Os “sucanzeiros” foram fundamentais para salvar vidas no Brasil. Agora, exigem o mínimo: dignidade, reconhecimento e justiça.
SINTSEP-PA — Na luta pelos direitos, pela memória e pela reparação histórica.
LEIA ABAIXO NOTA SINDICAL SOBRE OS INTOXICADOS PROTOCOLADA NO DIA 28 DE JUNHO DE 2011 - SRA. MINISTRA DA SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA - SRA. MARIA DO ROSÁRIO
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LEIA ABAIXO A PROPOSTA DE EMENDA À COSNTITUIÇÃO - PEC 101/2019 - QUE DISPÕE SOBRE A CONCESSÃO DE PLANO DD SAÚDE AOS SERVIDORES DA EXTINTA SUCAM, QUE MANUSEARAM O INSETICIDA DDT
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Confira o vídeo produzido pela TV Câmara sobre os trabalhadores intoxicados da FUNASA (ex-SUCAM) e entenda a gravidade dessa luta por justiça e reparação.
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ENTENDA O CASO: INTOXICADOS DA EX-SUCAM
O que foi a SUCAM?
Criada em 1970, a SUCAM foi um órgão federal responsável pelo combate a endemias como malária, febre amarela e doença de Chagas em todo o Brasil.
Quem são os “sucanzeiros”?
São os trabalhadores (guardas de endemias) que atuaram na linha de frente dessas campanhas, muitas vezes em áreas remotas e em condições precárias.
O que aconteceu com esses servidores?
Eles foram expostos a inseticidas altamente tóxicos, como DDT e Malation, sem equipamentos de proteção adequados.
Houve intoxicação?
Sim. Laudos e estudos apontam níveis elevados de intoxicação e uma ampla incidência de doenças graves entre os trabalhadores.
Quais são as consequências?
Problemas neurológicos, cardíacos, respiratórios, câncer e mortes precoces — muitos antes dos 60 anos.
As famílias também foram afetadas?
Sim. Há indícios de intoxicação de familiares, já que os produtos eram levados para dentro das casas.
O Estado reconheceu o problema?
Parcialmente. Apesar de evidências e denúncias, o Estado nunca garantiu reparação ampla nem assistência adequada à maioria dos trabalhadores.
PROVIDÊNCIAS E AÇÕES DO SINTSEP-PA
Denúncias institucionais e jurídicas
O SINTSEP-PA apresentou denúncias por violação de direitos humanos contra a União, Funasa e Ministério da Saúde, cobrando responsabilização.
Ações judiciais e mobilização nacional
O sindicato ingressou com ações individuais e coletivas, além de mobilizar a categoria em marchas, atos públicos e pressão política.
Luta por políticas de reparação
O SINTSEP-PA atua pela aprovação da PEC 101/2019 e do PL 5.489/2023, que garantem plano de saúde e assistência integral aos intoxicados, além de defender indenização e reconhecimento oficial.
Resumo:Os trabalhadores da ex-SUCAM salvaram vidas no Brasil, mas foram expostos a venenos sem proteção. Hoje, seguem lutando por justiça — e o SINTSEP-PA está na linha de frente dessa batalha.


















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