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Servidores denunciam ambiente insalubre e falhas graves de biossegurança no Hospital Barros Barreto

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Visita do SINTSEP-PA encontra mofo, infiltrações, falta de vestiários e risco de contaminação em setores críticos de hospital federal em Belém


Por Coordenação Estadual do SINTSEP-PA

 

Uma visita realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado do Pará (SINTSEP-PA) identificou condições consideradas graves de insalubridade e falhas estruturais que colocam em risco profissionais e pacientes no Hospital Universitário João de Barros Barreto, uma das principais unidades hospitalares federais da Amazônia.

 

A visita, motivada por denúncias de trabalhadores, concentrou-se na Clínica Cirúrgica e no Quarto Oeste, onde foram constatados problemas no repouso dos profissionais de saúde e na Unidade de Recuperação (UR) — áreas consideradas estratégicas para o funcionamento do hospital.

 

O relatório produzido pela entidade sindical, após a visitação, aponta falta de condições mínimas de trabalho, falhas de biossegurança e deterioração estrutural, cenário que, segundo os servidores, evidencia um processo de precarização que compromete tanto a saúde dos trabalhadores quanto a segurança dos pacientes.


 

Profissionais descansando no chão e sem vestiários

 

Um dos pontos mais críticos identificados pelo SINTSEP-PA foi o ambiente destinado ao repouso dos profissionais de saúde. Segundo o relatório, o espaço possui dimensões incompatíveis com o número de trabalhadores que atuam no setor, obrigando parte da equipe a improvisar condições de descanso.

 

Em alguns casos, profissionais chegam a dormir no chão por falta de espaço adequado.

 

“O ambiente também apresenta mofo e problemas estruturais, agravados pela ausência de ventilação adequada. A situação se torna ainda mais precária pela inexistência de uma copa, o que obriga servidores a realizar refeições no mesmo espaço onde tentam descansar” declarou Cedicio de Vasconcellos que é coordenador Geral do SINTSEP-PA.

 

O Sindicato constatou ainda que não há banheiros ou vestiários exclusivos para os profissionais. Sem infraestrutura mínima, trabalhadores precisam improvisar espaços para trocar de roupa ou realizar necessidades básicas.

 

Para as profissionais mulheres, a situação é considerada ainda mais grave. Diante da ausência de vestiários, muitas acabam utilizando o almoxarifado da unidade para trocar de uniforme, expondo-se a condições que o sindicato classificou como indignas e incompatíveis com qualquer padrão de saúde ocupacional.

 

Unidade de recuperação com risco de contaminação

 

Se o espaço de descanso dos trabalhadores já apresenta problemas graves, a situação na Unidade de Recuperação (UR) levanta preocupações ainda maiores. 

O SINTSEP-PA encontrou pisos quebrados, infiltrações e paredes com mofo, condições que comprometem a higiene e a segurança do ambiente hospitalar.

Um dos pontos considerados mais alarmantes é o expurgo — área destinada ao descarte de resíduos contaminados — que funciona sem porta de isolamento. Na prática, isso permite que aerossóis e partículas contaminadas circulem no ambiente onde pacientes permanecem internados, aumentando o risco de infecções hospitalares.

 

A visita também identificou ausência de sistema de comunicação interno, como interfones, o que pode comprometer a rapidez do atendimento em situações de emergência.

 

Outro problema apontado foi o compartilhamento do mesmo banheiro entre profissionais e pacientes, prática considerada inadequada em ambientes hospitalares por representar risco direto de infecção cruzada.

 

Hospital de referência sob pressão estrutural

 

O Hospital Universitário João de Barros Barreto, vinculado à Universidade Federal do Pará e administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), é referência no tratamento de doenças infecciosas, pneumologia e infectologia na região Norte.

 

A unidade atende pacientes de diferentes municípios da Amazônia e desempenha papel estratégico no sistema público de saúde.

 

Por isso, segundo representantes dos trabalhadores, as condições encontradas durante a visita acendem um alerta sobre a deterioração da infraestrutura hospitalar.

 

Para os profissionais, a precariedade não afeta apenas o ambiente de trabalho, mas pode comprometer a qualidade da assistência prestada à população.

 

Falhas estruturais e risco ao atendimento 

Especialistas em saúde pública alertam que problemas estruturais em hospitais podem gerar impactos diretos na segurança sanitária, principalmente em setores cirúrgicos e de recuperação. Ambientes com mofo, infiltrações e falhas de isolamento de resíduos contaminados aumentam a probabilidade de infecções hospitalares e de exposição de profissionais a agentes patogênicos.

Além disso, condições inadequadas de descanso e alimentação para equipes médicas e de enfermagem contribuem para fadiga, estresse e redução da capacidade de resposta em situações críticas.

 

Sindicato cobra providências

 

“Diante do cenário identificado, o SINTSEP-PA vai encaminhar o relatório aos órgãos de controle e vigilância sanitária, solicitando providências urgentes para corrigir as irregularidades, afirmou Regina Brito  coordenadora geral do sindicato.

 

A entidade também cobra da gestão do hospital investimentos imediatos em infraestrutura e adequação das condições de trabalho, afirmando que a situação atual contraria normas básicas de segurança ocupacional e biossegurança hospitalar.

 

Um problema além da estrutura

 

Para os trabalhadores, o caso do Barros Barreto reflete um problema mais amplo: o desgaste progressivo das condições de trabalho na rede pública de saúde.

 

Quando hospitais que deveriam operar com padrões rigorosos de biossegurança passam a funcionar com infraestrutura deteriorada e espaços improvisados, dizem os servidores, não está em jogo apenas a dignidade do trabalhador — mas a segurança de toda a população que depende do SUS.


Entenda o caso

 

1. Visita após denúncias

O SINTSEP-PA realizou visita no Hospital Universitário João de Barros Barreto, em Belém, após denúncias de trabalhadores sobre problemas estruturais e condições inadequadas de trabalho.

 2. Setores com irregularidades

A visitação concentrou-se na Clínica Cirúrgica e no Quarto Oeste, especialmente no repouso dos profissionais e na Unidade de Recuperação (UR).

 3. Condições precárias para os trabalhadores

O espaço de descanso é pequeno, tem mofo, falta de copa, ausência de banheiros e vestiários, e alguns profissionais chegam a descansar no chão.

4. Falhas graves de biossegurança

Na Unidade de Recuperação foram encontrados pisos quebrados, infiltrações, mofo, ausência de comunicação interna e expurgo sem isolamento, além de banheiro compartilhado entre profissionais e pacientes

5. Providências cobradas

O sindicato informou que enviará o relatório a autoridades sanitárias e órgãos de controle, cobrando medidas urgentes para garantir condições dignas de trabalho e segurança no atendimento hospitalar.

LEIA ABAIXO INTEGRA DO RELÁTORIO DO SINTSEP-PA PRODUZIDO PELA ENTIDADE SINDICAL APÓS VISITAÇÃO AO HOSPITAL BARROS BARRETO 

CLIQUE PARA BAIXAR O ARQUIVO EM PDF

IMAGENS DA VISITA DO SINTSEP-PA AO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO BARROS BARRETO

Matéria em atualização

 

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