Greve na EBSERH termina com acordo contestado e rejeição inédita no Pará
- há 5 dias
- 2 min de leitura

A greve nacional das trabalhadoras e trabalhadores dos hospitais universitários administrados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) chegou ao fim após a assinatura de um acordo entre a empresa e entidades nacionais da categoria. No entanto, no Pará, o desfecho foi marcado por forte contestação: servidores do Hospital Universitário João de Barros Barreto e do Hospital Bettina Ferro votaram contra a proposta, abrindo uma divergência inédita no movimento em nível nacional.
A proposta, que contou com a concordância da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (CONDSEF) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), foi rejeitada pelos trabalhadores paraenses, que consideraram o reajuste insuficiente e as condições impostas prejudiciais à categoria.
Entre os pontos criticados está a obrigação de reposição de 50% dos dias parados durante a greve. De acordo com Cedício de Vasconcellos, coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado do Pará (SINTSEP-PA), a decisão dos trabalhadores do estado representa um posicionamento político diante do que classificou como um acordo desfavorável.
“As trabalhadoras e trabalhadores fizeram sua parte. Organizaram uma poderosa greve nacional, denunciaram condições precárias de trabalho e enfrentaram o assédio moral das chefias. Infelizmente, as direções nacionais aceitaram um acordo que, na prática, representa cerca de R$ 30 de reajuste — o equivalente a um ovo por dia. Isso é uma vergonha”, afirmou.
A paralisação, que durou uma semana, mobilizou profissionais em diversas regiões do país e trouxe à tona denúncias sobre infraestrutura precária, sobrecarga de trabalho e problemas de gestão nas unidades hospitalares vinculadas à EBSERH. No Pará, segundo o sindicato, a adesão foi significativa e reforçou a insatisfação da base com as condições de trabalho.
Ainda segundo Cedício, a rejeição do acordo no estado também expressa críticas à condução do movimento em nível nacional. “Aqui no Pará, os trabalhadores votaram contra esse acordo como forma de protesto. Há uma percepção de que as direções nacionais estão mais preocupadas com o processo eleitoral do que com a defesa concreta dos interesses da categoria”, declarou.
O Pará foi o único estado do país a rejeitar formalmente a proposta apresentada, evidenciando fissuras na condução unificada da greve e no processo de negociação com a empresa.
Apesar do encerramento formal da paralisação, o clima entre os trabalhadores segue de insatisfação. O SINTSEP-PA indica que continuará mobilizado e não descarta novas ações para pressionar por melhores condições salariais e estruturais nos hospitais universitários federais.
🚨 VEJA AGORA! Servidores em mobilização no Hospital Barros Barreto mostram a força da luta por direitos e melhores condições de trabalho




































Comentários